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A Síndrome do Túnel Cárpico, o que é? Sintomas e tratamento

Mão e Punho - Síndrome do Túnel Cárpico

Formigueiro e dormência são os principais sintomas de uma das patologias que mais afecta as mãos: a síndrome do túnel cárpico. A sua evolução leva normalmente à perda de força e destreza manual. No entanto, é uma condição facilmente reversível, cuja recuperação total se consegue no espaço de algumas semanas a poucos meses.

A síndrome do túnel cárpico é uma das patologias mais comuns ao nível dos punhos e das mãos, embora a sua causa concreta seja desconhecida. Pode afectar qualquer pessoa mas regista-se maior incidência em mulheres com mais de 40 anos.

Sabe-se também que determinadas condições aumentam a probabilidade do desenvolvimento desta síndrome, nomeadamente: fraturas ou traumatismos, artrite reumatóide, alterações no funcionamento da tiróide, bem como a gravidez.

Em que consiste a síndrome do túnel cárpico?

Os nervos e tendões que nos permitem movimentar os dedos passam do antebraço para a mão através de um canal estreito localizado no punho: o túnel do carpo. Quando este é submetido a pressão em excesso pode originar a compressão do nervo mediano e, consequentemente, levar ao surgimento dos primeiros sintomas da síndrome do túnel cárpico.

Inicialmente esporádicos, os principais sintomas são dormência e formigueiro, sobretudo entre os dedos polegar e anelar. Ao longo do tempo intensificam-se e tornam-se particularmente incomodativos durante a noite. Sem o devido tratamento, a evolução da doença tende a provocar atrofia dos músculos da palma da mão, na base do polegar. A funcionalidade natural da mão começa a ficar comprometida; os dedos, com falta de sensibilidade , tornam-se fracos e, muitas vezes, incapazes de agarrar/segurar objectos. A diminuição da destreza manual é, assim, cada vez mais notória até se tornar incapacitante.

O exame clínico e o diagnóstico

Durante a consulta médica, são realizados alguns testes clínicos que permitem detectar a existência da síndrome do túnel cárpico, sendo que em casos mais avançados a atrofia muscular é perfeitamente notória na palma da mão.

A ortopedia, particularmente a sub-especialidade de punho e mão, é a especialidade mais indicada para diagnosticar e tratar esta patologia.

Para o diagnóstico, o teste de referência – chamado teste de Durkan ou Phalen modificado – consiste na aplicação de pressão directa sobre o túnel do carpo ao mesmo tempo que o punho é dobrado. A existência da síndrome irá provocar dormência e formigueiro nos dedos.

Outro método, o teste de Tinel, também procura reproduzir as queixas do paciente através de pequenos toques dados na zona da pele que se encontra por cima do túnel do carpo e do nervo mediano.

Exames complementares de diagnóstico

Quando os testes acima não são conclusivos podem ser efectuados outros exames, como um estudo de condução nervosa ou um electromiograma. O primeiro serve para medir a velocidade de condução do nervo, enquanto o segundo mede a actividade eléctrica dos músculos circundantes.

Estes exames podem ser algo desconfortáveis mas demoram cerca de 30 minutos, pelo que são relativamente rápidos.

Exame da Síndrome do Túnel Cárpico

Que tratamentos existem para a síndrome do túnel cárpico?

Dependendo da gravidade de cada caso, o tratamento pode ir da simples toma de medicação até a uma intervenção cirúrgica.

Quando as queixas são ainda leves, o recurso a analgésicos e anti-inflamatórios é suficiente para aliviar o paciente. Pode também ser recomendado o uso de uma tala, particularmente durante a noite.

Se a síndrome do túnel cárpico estiver relacionada com a gravidez, as queixas tendem a desaparecer após o parto ou nos meses seguintes.

A cirurgia ao túnel do carpo

A cirurgia é o tratamento mais comum para esta patologia e a opção mais adequada nos casos em avançado estado de debilidade. É feita em ambulatório, demora aproximadamente 10 minutos, e consiste no seccionamento do ligamento transverso do carpo, descomprimindo o nervo mediano. 

O paciente pode regressar a casa imediatamente ou algumas horas após a intervenção cirúrgica, não havendo necessidade de internamento. Duas semanas depois, por norma, é possível retomar gradualmente a vida normal, mantendo cuidados acrescidos com a realização de esforços ou elevação de pesos.

A cirurgia ao túnel do carpo pode ser feita por duas vias:

  • Aberta
    Sob anestesia local e com auxílio de um garrote colocado imediatamente acima do punho, é realizada através de uma pequena incisão (cerca de 1,5cm) na palma da mão.
  • Endoscópica
    Sob anestesia geral leve ou anestesia de todo o membro superior afectado, é minimamente invasiva e feita através de uma pequena incisão de 1cm na prega do punho.

Esta última técnica tem geralmente uma recuperação mais rápida e menor incidência de dor cicatricial. No entanto, tem algumas restrições, nomeadamente caso existam doenças como a diabetes ou doenças reumáticas. Nestes casos, será preferível uma intervenção por via aberta.

O que pode correr menos bem?

Em geral, mais de 95% ficam totalmente satisfeitos com o resultado. Contudo, podem ocorrer complicações, quer relacionadas com a libertação do túnel cárpico (específicas) quer associadas à cirurgia da mão (gerais).

As complicações específicas:

  • Resolução incompleta dos sintomas; é raro, mas pode acontecer em casos muito avançados da doença, perdendo-se a capacidade de recuperação do nervo.
  • Dor cicatricial, ou pillar pain (menos frequente na técnica endoscópica).
  • Dormência na palma das mãos, por lesão de um pequeno ramo cutâneo do nervo mediano.

Exemplos de complicações gerais:

  • Infecção ( > 1%),
  • Neuroma; espessamento exagerado dos nervos pela acumulação excessiva de células e fibras nervosas.
  • Síndrome de dor regional complexa (1-2%); trata-se de uma reação rara, que pode ocorrer com qualquer cirurgia da mão, na qual esta se torna rígida e dolorida.

Recuperação e regresso à rotina após cirurgia ao túnel cárpico

Cada profissão tem tarefas distintas e diferentes graus de exigência física, pelo que o período de tempo mínimo recomendado é bastante variável. De um modo geral, no caso de uma profissão sem grande carga física, o regresso ao trabalho pode ser feito a partir dos 15 dias de pós-operatório. Já em profissões fisicamente exigentes e com grande componente de trabalho manual, o paciente não deverá retomar as suas actividades antes das 4 a 6 semanas de recuperação.

Ao fim de poucos dias – ou, no máximo, duas semanas – a condução de veículos já pode ser realizada em segurança.

Que cuidados ter no pós-operatório?

Apesar de poder regressar a casa no mesmo dia em que é realizada a operação, o paciente terá pela frente algumas semanas de recuperação. Na maior parte das vezes, as queixas noturnas desaparecem no próprio dia. Contudo, pode demorar até três meses para se aperceber por completo dos resultados da cirurgia.

Numa primeira fase, o controlo da dor é feito com analgésicos prescritos pelo médico e cuja toma deve ser iniciada ainda antes do efeito da anestesia desaparecer. No caso de anestesia local, esta desaparecerá no espaço de algumas horas.

Os dedos devem ser exercitados frequentemente a partir do momento em que recupera a sensibilidade da mão. Além disso, nos primeiros cinco dias após a intervenção cirúrgica, a mão deverá ser elevada, tanto quanto possível, por forma a evitar edema. 

Nas duas primeiras semanas, o penso e a ferida devem ser mantidos limpos e secos. A sutura será absorvida pelo organismo, não sendo necessário tirar os pontos, e rapidamente o penso cirúrgico pode ser trocado por um mais pequeno.

Na Clínica Lambert, as nossas consultas de ortopedia contam a experiência e liderança do Dr. Francisco Mercier, especializado nas patologias de punho e mão. Se tem algum dos sintomas descritos, ou outro desconforto, não espere até que a situação piore exponencialmente. Contacte-nos e deixe as suas mãos em boas mãos.

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